Feliz Ano Novo!

Finalmente fim de ano, o aguardado 2016 bate na nossa porta! E os desejos que esse momento traz nos enchem de esperança e de sonhos. Para finalizar esse ano com chave de ouro. Fiz um poema reflexivo sobre esse momento.

Espero que gostem!

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Ano novo 

Autoria: Luisa Soresini

Pare nesse momento,
Por mais renovador que seja o tempo,
No fim é só uma linha reta para o final.

As mudanças dos calendários,
O zodíaco imprescindível
Tudo nos leva para um só lugar.

Mas mesmo assim,
Na verdade é por isso mesmo.
Pule as sete ondas.

Coma a romã, o fruto da sorte.
Use branco, preto a cor que te move.
Dê presentes para a rainha do mar.

Trace o círculo, não coma quem cisca para trás,
Não ande com quem vai para trás.
Varra a casa. Tome banho de sal.

Reze. Jogue tarô.

E mesmo que tudo isso não funcione,
Mesmo que o recomeço não dê certo,
Que seja somente mais passo para o fim.

Pule as sete ondas.
Saia de branco.
Dê flores ao mar.

Obrigada,

Luisa Soresini

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Loucura literária: Ana Martins Marques!

Gente, primeiramente peço desculpas pelo meu sumiço, a vida anda corrida demais… Mas agora vou tentar postar toda a semana pelo menos, ou até mais. Aguardem os próximos posts 😉

Hoje, vamos falar de uma das poetas contemporâneas que eu mais gosto: Ana Martins Marques!

anamarques

Ana é mineira de Belo Horizonte (oh terrinha boa), é formada em Letras (minha colega) e doutora em literatura comparada pela UFMG. Já ganhou vários prêmios de poesias e se tornou uma poeta de renome no Brasil.

Seus  poemas são simples, falam de assuntos do cotidiano, mas não deixam de ser sensíveis e tocantes, demonstrando grande domínio da linguagem. Seus grandes livros são: A vida submarina (2009), A arte das armadilhas (2011) e O livro das semelhanças (2015).

Veja abaixo alguns poemas da autora:

açucareiro
De amargo
basta
o amor
Agridoce,
ela disse
Mas a mim
pareceu
amargo

(Arte das armadilhas, 2011, p. 13)

c r i s tal e i ra
Guarda
e revela
a nudez
branca
da louça
o incêndio
despareado
dos cristais

(Arte das armadilhas, 2011, p.15).

Faca
Sua fria elegância
não escamoteia
o fato:
é ela que melhor se presta
ao assassinato

(Arte das armadilhas, 2011, p.16)

Ate mais!

Luisa Soresini

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Loucura Literária: Manuel Bandeira!

Porquinho-da-Índia

Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele pra sala
Pra lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas…

– o meu porquinho-da-índia foi a minha primeira namorada.
(BANDEIRA, Manuel. Libertinagem – 2ª Edição – São Paulo: Global, 2013, p.45).

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Encontrada em: www1.folha.uol.com.br

De porquinhos-da-índia até sinos e outras coisas, Manuel Carneiro de Souza Filho, ou simplesmente, Manuel Bandeira é um dos escritores mais conhecidos no Brasil e sua poética marcou várias gerações, principalmente pela sua participação junto com Oswald de Andrade e Mário de Andrade da primeira fase do Modernismo. Mas sua fama não parou por ai, até hoje suas poesias são passadas e repassadas devido a profundidade de suas temáticas e seus critérios poéticos únicos. Mesmo assim sua vontade nunca foi ser poeta, mas sim um arquiteto, porém a tuberculose (doença dos grandes nomes na minha opinião) não permitiu sua aproximação nessa área. Para os médicos, a tuberculose o consumiria em alguns meses ou anos e Bandeira conheceu a poesia durante essa época para expressar seus sentimentos com relação a sua própria doença e até a simplicidade das coisas da vida.

Vivendo uma vida regrada e sem fortes emoções, Manuel, para sua sorte ou azar, acabou vivendo até os 80 anos, construindo um grande repertório de poesias, antologias e prosas.

Se quiser conhecer mais sobre esse autor, veja esse vídeo chamado O Habitante de Pasárgada disponível no youtube em preto e branco:

E para terminar, nas palavras de Manuel Bandeira:

O último poema

Assim eu quereria o meu último poema

Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
(BANDEIRA, Manuel. Libertinagem – 2ª Edição – São Paulo: Global, 2013, p. 105)

Luisa Soresini