Loucura Literária: Manuel Bandeira!

Porquinho-da-Índia

Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele pra sala
Pra lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas…

– o meu porquinho-da-índia foi a minha primeira namorada.
(BANDEIRA, Manuel. Libertinagem – 2ª Edição – São Paulo: Global, 2013, p.45).

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Encontrada em: www1.folha.uol.com.br

De porquinhos-da-índia até sinos e outras coisas, Manuel Carneiro de Souza Filho, ou simplesmente, Manuel Bandeira é um dos escritores mais conhecidos no Brasil e sua poética marcou várias gerações, principalmente pela sua participação junto com Oswald de Andrade e Mário de Andrade da primeira fase do Modernismo. Mas sua fama não parou por ai, até hoje suas poesias são passadas e repassadas devido a profundidade de suas temáticas e seus critérios poéticos únicos. Mesmo assim sua vontade nunca foi ser poeta, mas sim um arquiteto, porém a tuberculose (doença dos grandes nomes na minha opinião) não permitiu sua aproximação nessa área. Para os médicos, a tuberculose o consumiria em alguns meses ou anos e Bandeira conheceu a poesia durante essa época para expressar seus sentimentos com relação a sua própria doença e até a simplicidade das coisas da vida.

Vivendo uma vida regrada e sem fortes emoções, Manuel, para sua sorte ou azar, acabou vivendo até os 80 anos, construindo um grande repertório de poesias, antologias e prosas.

Se quiser conhecer mais sobre esse autor, veja esse vídeo chamado O Habitante de Pasárgada disponível no youtube em preto e branco:

E para terminar, nas palavras de Manuel Bandeira:

O último poema

Assim eu quereria o meu último poema

Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
(BANDEIRA, Manuel. Libertinagem – 2ª Edição – São Paulo: Global, 2013, p. 105)

Luisa Soresini

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