Crônica do dia!

Um dia estava nevando. Mesmo eu morando no interior de Minas, nevar era improvável, principalmente naquele dia ensolarado. Contudo, nevava. Peguei um daqueles pequenos floquinhos de neve na mão e descobri, através deles, que aquilo não era neve, mesmo sendo branquinho como tal. Paina era o nome daquilo, como minha avó falou. Muito antigamente, era usada para fazer travesseiros, antes das coisas sintéticas, antes dos travesseiros de astronauta.

Olhei mais para frente e vi sua árvore, enquanto subia aquelas calçadas históricas. Era bonita, cheia de paina branca, linda, antiga, simples. Ela perdia aquelas pequenas lãs pelos ares, para a chegada do inverno, perdendo também suas cores coloridas. Dormir com a consciência limpa e deitada naquela paina toda devia ser bom, pensei e suspirando profundamente, mexendo as mãos de um lado para outro para brincar com os floquinhos, percebi que a rua estava cheia deles. Caia paina em cima dos carros modernos, das casas com internet e travesseiros antialérgicos, das pessoas corridas e sem tranquilidade, caia em cima de mim.

Naquele dia nevava e só eu percebi.

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Luisa Soresini – autora

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